Mahou Tias #003 – O Almoço

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As duas ficaram bastante constrangidas com a situação, mas Pamela realmente sentiu. Ela voltou a olhar para frente e abaixou a cabeça, pedindo para ir para casa, que não queria mais ir almoçar na casa da filha do namorado. O avô de Stefani, olhou para a neta e perguntou:

– Vocês se conhecem desde quando?

– Nos conhecemos hoje de manha… Ela me ajudou a me livrar de um tarado no ônibus. – Respondeu Stefani.

O homem se virou para Pamela e perguntou:

– Ela sabe do seu trabalho?

Um leve aceno de cabeça de Pamela foi toda a resposta que o homem obteve. Ele ligou o carro, e seguiu por um caminho diferente do que usaria para ir a casa da neta, que pensou que seria o caminho para a casa de Pamela.

Então o avô entra no estacionamento de um super-mercado, para o carro no lugar mais afastado, e avisa que precisa comprar uma coisa, e sai do carro deixando as duas sozinhas.

Depois de um minuto de um silencio constrangedor, Stefani vê Pamela se virar para traz com lagrimas nos olhos e lhe perguntar:

– Você deve estar com raiva de mim, não é?

– Na verdade eu não sei… Você me ajudou, é uma garota de programa, e está namorando com meu vô… Mas não é de você que sinto raiva, é dele. – Respondeu Stefani.

A resposta da garota deixou Pamela bastante chocada. Ela perguntou, por que Stefani sentia raiva do avô e não dela, Stefani respondeu:

– Não sei se ele te contou, mas ele traiu minha avó. E agora está namorando uma garota de programa… Acho que ele é um safado.

Pamela encarou a garota e questionou:

– E eu não sou safada?

– Você escolheu trabalhar com isso, não tem que ser fiel a ninguém! Meu avô tinha, e trocou por sexo! Como você se sente sabendo que ele só te quer por causa da sua experiência? – Rebateu Stefani.

Pamela foi pega de surpresa, mais uma vez. A garota não parecia mentir, e a forma como Stafani a tinha questionado sobro o motivo pelo qual o avô estava namorando com ela, fez ela perceber um rancor guardado na garota, e resolveu explorar:

– Por que essa raiva? Ele é seu avô?

– Pode até ser, mas é um safado mulherengo, que da em cima da própria neta! – Stefani tremia enquanto falava.

– Como assim? Da em cima de você?

– Ele vive me dando tapinhas na bunda e vez ou outra um apetãozinho no peito. O que você acha que ele quer? – Disparou Stefani.

O senhor abriu a porta do carro, e quando fechou, Pamela disparou na direção do namorado:

– Você fica bolinando sua neta?

O homem olhou para as duas e respondeu:

– Ok, já vi que me ferrei. Mas todo tapa ou apalpada, sempre foi com o objetivo de brincar. Mas depois de domingo e agora, acho que não era engraçado.

– Só agora você percebeu? – Questionou a garota.

– Você nunca tinha mostrado tanta raiva disso, então achei que você também levava na brincadeira, mas me enganei.

Um novo silencio tomou conta do carro, até que o velho falou:

– O lado bom disso, é que vocês não brigaram entre si, e direcionaram a raiva para mim. Agora Stefani, me faz um favor, não fala para os seus país sobre o trabalho da Pamela, ela já esta dispensando os clientes, só faltam cinco para ela encaminhar para outras garotas.

Stefani sentiu um chacoalhão, pois voltou com muita força a realidade de que iria haver um almoço, onde estariam ela com os país, o avô e Pamela, isso não tinha como terminar bem, e Pamela concordava, pois falou sem rodeios:

– Não, hoje não. A Stefani tem que digerir isso e eu também. Não tem clima para esse almoço hoje.

O homem se incomodou, dizendo que podiam facilmente contornar com uma desculpa qualquer. Pamela rebateu dizendo que seria impossível, já que Stefani sabia e não conseguiria disfarçar por muito tempo.

Os dois ficaram trocando argumentos, até que Stefani interveio:

– Vamos fazer assim, eu adianto pros meus país sobre a Pamela, quando vocês puderem ir eu aviso por mensagem.

Os dois pararam a discussão chocados, afinal nenhum dos dois pretendia contar a verdade.

Os três se olharam, pensaram, e entraram em um consenso de acenos de cabeça, que talvez fosse a melhor solução.

Stefani foi deixada na porta de casa, e entrou, indo direto para a cozinha, onde a mãe já tinha colocado a mesa, e o pai tomava um suco.

Stefani cumprimentou os país. O pai percebeu a expressão estranha da filha e perguntou como tinha sido o dia. Ela contou do incidente no ônibus, e como foi salva por uma garota de programa.

O pai ficou revoltado, dizendo que a esposa iria tirar carta de motorista o mais rápido possível.

Stefani também contou da agitação na escola, e sobre Viviane estar muito magra. A mãe da garota ficou preocupada pela saúde da menina. E só ai eles se tocaram que Stefani não tinha entrado com o avô e a questionaram a respeito, ela respondeu:

– Ele foi com a Pamela comprar uma coisa, já já eles vem.

– Então esse é o nome da namorada dele? O que você achou dela? – Questionou a mãe.

Stefani engoliu em saco, pois era a hora:

– Ah, não conheço ela direito, mas ela parece ser legal, até me salvou do tarado de manha, sem me conhecer.

A cozinha ficou quieta por alguns segundos até que a bomba fizesse sentido, a mãe de Stefani se sentou na cadeira, chocada. O pai questionou repreendendo:

– Filha! Você ta xingando a namorada do seu avô?

– Não, ela é a garota de programa que me ajudou de manha. – Stefani terminou a frase apoiando ao cabeça nas mãos.

O pai da garota se levantou dizendo:

– Eeeee, seu Augusto, sempre surpreendendo.

A mãe, enxugando algumas lagrimas, perguntou se o avô da garota sabia, e ela confirmou, o que deixou a mulher mais abalada.

Stefani na tentativa de contornar a situação, falou que o avô disse, que Pamela já estava encaminhando os clientes para outras garotas, e que agora faltavam só cinco para ela se livrar.

Isso pareceu deixar a mãe da garota um pouco mais animada. Stefani também explicou, que Pamela não queria vir, por que ela sabia, e poderia ter dificuldades em guardar o segredo. E depois contou a conversa com Pamela, quando as duas estavam sozinhas no carro, e a forma como ela havia dado uma bronca no próprio namorado.

A mulher se levantou, foi até o filtro, encheu um copo de água, e bebeu de uma única vez, respirou e falou:

– Por que meu pai resolveu namorar uma mulher da vida? O que ela faz que minha mãe não fazia?

O pai de Stefani ficou vermelho, e virou a cabeça para o lado oposto ao da esposa, que não parou de falar:

– Por que ele fez isso? Como a mamãe vai ficar?

O pai de Stefani tentando mudar o foco, perguntou:

– Mas amor, será que não foi essa mulher que seduziu seu pai, ou está se aproveitando?

A mulher se virou lentamente, encarou o marido e respondeu:

– Meu pai nunca foi de ser manipulado, mesmo quando eu era criança eu não conseguia enrolar ele com a minha fofura. Ela só está com ele por que ele também quer, do contrario, ele preferiria pagar por cada transa.

Isso colocou um ponto final na atribuição de culpa. Percebendo isso, Stefani questionou se podia chamar os dois para vir. Os pais da garota se olharam e disseram que era melhor que isso acontecesse logo, esperar só poderia causar mais dor.

O senhor Augusto entrou na cozinha com o braço em volta da cintura de Pamela, e a apresentou. Os país de Stefani ficaram surpresos, pois já haviam visto Pamela trabalhando em um dos caixas do mercado de Augusto, que confirmou ser ela.

O pai de Stefani tentava disfarçar o constrangimento, mas a mãe não, e perguntou a quanto tempo o namoro era serio. Augusto respondeu, que há dois meses Pamela havia aceitado namorar com ele e largar os clientes.

Pamela ficou constrangida, e logo foi dizendo que fazia exames periódicos e não tinha nenhuma doença.

A mãe de Stefani não parava de encarar a mulher. Então ela perguntou por que ela tinha escolhido esse trabalho. Pamela abaixou a cabeça e respondeu:

– Pelo dinheiro, meus país tomam remédios muito caros, a aposentadoria deles e um emprego comum, meu, não davam conta de colocar comida e remédios em casa.

– Por que vocês não recorrem ao governo? – Perguntou a mãe de Stefani.

– Já tentamos, mas não conseguimos.

– Seus país sabem do seu trabalho? – Voltou a perguntar a mãe da garota.

– Não! Não podem saber, por favor!

A mãe de Stefani viu medo, vergonha e carinho nos olhos de Pamela, e disse que não iria contar nada, já que ela estava largando essa profissão. Então se virou para o pai e perguntou:

– Minha mãe sabe sobre a Pamela?

– Sim, contei pra ela, inclusive do trabalho. – Respondeu o avô de Stefani.

A mãe de Stefani estendeu a mão na frente do rosto do marido, que logo entendeu e deu o celular para ela, que discou alguns números e colocou o aparelho na mesa, já no viva-vos, e fez sinal de silencio para todos:

– Alô? – Falou a voz de uma senhora animada.

– Mãe, é a Estela. – Falou a mãe de Stefani.

– Filha! Como vai!

– Bem mãe. Mas a senhora sabe que o papai está namorando? – Perguntou Estela.

– Sim, por que?

– Você sabe da profissão dela? – Voltou a perguntar Estela, sem rodeio algum.

O aparelho ficou mudo, por uns instantes, e a senhora de repente falou:

– Aaa… Ele não conseguiu esconder de você… Palmas para ele.

– Então você sabe… – Estela ficou chocada.

– Não se preocupa, ela vai ter muita dor de cabeça com ele! Ele até pode ser bom de cama, mas da um trabalho! – Falou a senhora deixando todos ali constrangidos.

– Informação demais vovô! – Gritou Stefani.

Outros instantes de silencio, e de novo a senhora recomeçou:

– Hahaha! Os dois estão ai! Por isso ta no viva-vos! Ei querida, ele pode até dar conta de você, mas da trabalho na mesma proporção. E alias, deixa eu ir que daqui a pouco começa a seção do filme no cinema, tchau!

Todos estavam constrangidos, menos Augusto, que sorria como uma criança que acabou de ganhar um brinquedo novo. Dando risada Estela falou “Vamos almoçar”.

Durante a refeição, o trabalho de Pamela deixou de ser o assunto, partindo para coisas mais amenas.

Um helicóptero começou a sobre voar a região, mas inicialmente ninguém deu bola. Até que Stefani escutou um barulho de passos e algo caindo no quarto dela, que se levantou falando o que tinha ouvido e subindo as escadas como um tiro, seguida de perto pelo avô o e o pai, as mulheres demoraram um pouco mais para se levantar.

Quando a garota abriu a porta do quarto, viu uma mulher muito bonita, branca, rosto de boneca, longos cabelos azul piscina, trajando uma saia rodada azul com babado branco, uma peça azul, no formato dos seios medianos, que parecia estar costurada, a um maio de ginástica, também azul. Nas alças do maio, haviam costuradas mangas azuis de babado branco, que eram bem largas, e para fechar, usava botas azuis.

Quando Stefani fez menção de gritar, sua cabeça foi envolta por uma esfera de água, que saia da mão direita da mulher, que falou calma e assustadoramente:

– Calma garota… Você não é um bandido… Só não grite, não quero te machucar.

O avô e o pai da garota ficaram parados sem saber o que fazer, e a mulher de azul falou para eles, e as mulheres que haviam acabado de chegar, ficarem quietos também.

Lentamente ela liberou o nariz de Stefani que deu uma inspirada bem forte no ar. A mulher continuou a retirar a bolha, até não restar mais nada.

Stefani caiu sentada na cama, amparada pela mãe e por Pamela, enquanto o pai e o avô entravam na frente das mulheres para protegê-las.

Augusto sem fazer muita cena, perguntou se ela tinha sido uma das pessoas que havia atacado aqueles assaltantes, no ultimo sábado. Ela respondeu que sim, e explicou, que ela e as companheiras estavam tentando interceptar um caminhão que transportava drogas, quando a policia apareceu e saiu em perseguição a elas, deixando o caminhão escapar.

A mulher voltou o olhar para a janela, tentando imaginar se era o melhor momento para sair. Então Augusto foi silencioso até a janela e colocou a cabeça para fora, e não viu nenhum helicóptero:

– Por que você fez isso? – Perguntou a mulher de azul.

– Pelo jeito você só quer se esconder… Só me faça um favor, da próxima vez que quiser impedir que alguém grite, só tape a boca!

A mulher deu de ombros dizendo que iria se lembrar do conselho, e pulou do chão na escrivaninha, da escrivaninha para a janela, da janela para a árvore, e da árvore por cima do muro.

Continua…

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