Mahou Tias #011 – A Decisão

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Stefani foi dormir com a cabeça cheia, as Palavras de Laura a deixaram com medo. No que dizia respeito a ela, estava tudo bem, pois ela sabia que provavelmente as palavras eram sobre Ricardo. Mas as coisas que ela tinha ouvido sobre o avô e Pamela, estas sim estavam incomodando.

Stefani teve problemas para se livrar das cobertas, ela havia se mexido tanto durante a noite, que a estática gerada tornava impossível ela se descobrir sozinha.

Ela foi até o quarto onde o avô e Pamela estavam dormindo, mas depois de várias batidas na porta, ninguém saiu.

Ela foi até a cozinha ainda enrolada no cobertor. Leidiane e Laura que foram as primeiras a ver a chegada da garota na cozinha, caíram no riso. Pamela ficou constrangida e deu bronca em Stefani:

– Que maluquice é essa? Você é visita!

– Alguém pode tirar a coberta de mim? Ela não desgruda! – Reclamou Stefani pedindo ajuda.

Mas como ninguém havia entendido, a garota explicou os problemas com a toalha.

Laura, foi até o armário sob a pia, e pegou uma luva de borracha, vestiu, agarrou a coberta e puxou.

O barulho fez o caseiro, que era o pai de Laura, entrar desesperado, perguntando se algo tinha acontecido, e ver Stefani caída tremendo e gemendo, não ajudou em nada.

O homem colocou Stefani no colo, mas Laura segurou em seu ombro dizendo:

– Pai, vai com calma. Ela ta parcialmente bem. Depois que ela dominar os poderes isso não vai mais acontecer.

– Outra vez essas coisas? Ser normal aqui, ta virando anormal. – Falou o homem revirando os olhos.

Depois que comeram, Leidiane, disse que teria que terminar os trabalhos, e assim que possível se juntaria as garotas. Augusto ficou meio confuso, e Laura percebendo explicou:

– Senhor, só Pamela vai com a gente. Isso pode ser constrangedor, então o senhor fica.

– Mas nem fodendo! Não sei o que vai rolar nesse treinamento, e não vou deixar minhas duas garotas sozinhas! – Gritou Augusto levantando os punhos.

Laura disse que só permitiria se Stefani autorizasse, pois era possível que ela ficasse nua no processo.

Stefani não deixou, e o avô retrucou:

– Que merda de frescura é essa? Eu já troquei sua fralda, limpei sua bunda, qual a diferença?

– Eu era um bebê! – Respondeu Stefani ficando vermelha.

– E dai, seu corpo não mudou nada! – Falou Augusto.

Stefani ficou mais vermelha, mas também ficou triste. Pamela, percebendo, agarrou a orelha do namorado e falou irritada:

– Nunca se deve dizer algo do tipo para uma garota… E você vai ficar, ou eu vou começar a ir assistir os jogos no campo com você!

Augusto não gostava quando ela ia até o campo, e foi obrigado a permitir.

Então por volta das nove e trinta, as três se dirigiram para um lugar afastado. Pamela trajava roupas de moletom, Laura e Stefani estavam de shorts curto e camisa regata. A garota estava tremendo, mas Laura disse que seria melhor para sentir o ambiente, e Stefani não teve argumentos para ir contra, afinal, ela mal sabia o que estava acontecendo.

Depois de 20 minutos de caminhada, elas chegaram no pé de uma pequena elevação rochosa, que tinha uma pequena clareira, e uma espécie de riacho dentro de uma caverna.

Laura levou Stefani pra o meio da clareira e começou a explicar:

– As outras três adquiriram compreensão sobre os poderes, sendo super expostas a eles. Leidi, por exemplo, ateou fogo no próprio corpo. Jessica, pulou de um balão sem paraquedas e a nossa bonequinha, se amarrou debaixo da água sem ter como sair para respirar. Mas apenas Laidi teve sucesso logo na primeira.

– Mas eu não to vendo nenhum fio de alta tenção aqui. – Questionou Stefani.

– Sim, mas você não vai treinar da mesma forma. Apesar da minha insistência, não recebi, autorização. Então vou apenas te ajudar a não disparar um raio por acidente, e controlar sua transformação. – Falou Laura um tanto decepcionada.

Pamela decidiu ficar calada, pois, ela não tinha uma opinião bem formada sobre, aquilo.

Laura pediu para que Stefani fechasse os olhos e tentasse buscar dentro dela a roupa que ela estava usando quando mudou pela primeira vez.

A garota se sentiu aliviada por que o avô não estava ali, já que se ela conseguisse, ficaria com a bunda de fora.

Então ela começou a respirar profundamente, tentando sentir a camisola dentro do corpo. Mas ao invés disso, acabou sentindo como os pulsos elétricos iam pelos nervos até o cérebro, e como eles faziam o caminho inverso. Não era uma percepção perfeita, mas ela podia sentir os fluxos opostos como se fossem duas correntes de água que andavam juntas mas cada uma para um lado.

Então ela sentiu um arrepio e abriu os olhos para ver a grama, em volta dela, queimada.

Stefani ficou assustada, mas Laura a acalmou:

– Calma, isso foi interessante! Você criou um magnetismo bem forte que fez a grama queimar como se tivesse sido atingida por um raio. Seus poderes não querem ser oprimidos, eles querem ser usados, e estão se mostrando.

Pamela pegou o celular, e ficou aliviada, quando desbloqueou a tela e viu que estava tudo bem com o aparelho.

Stefani voltou a se concentrar, mas tudo que fazia era secar e queimar a grama ao redor.

Por volta das treze horas Jessica chegou acompanhada de uma mulher loira, que só podia ser a azul, pois tinha a mesma cara de boneca, o mesmo corpo, o mesmo cabelo liso, mas também com menos músculos:

– E ai gente! Essa é a Tatiane, aquela que quase matou a Stefani no quarto dela. – Falou Jessica tentando fazer parecer engraçado.

Tatiane olhou em volta e repreendeu Laura:

– Era para ela aprender a suprimir os poderes e controlar a transformação. Não para deixar a grana daqui seca!

– Não tem como, os poderes não querem isso. Doma-los guardando, vai ser pior. Eles vão sair com mais força. – Falou Laura séria.

– Eu já disse, estou do lado da Laura. – Falou Jessica.

Pamela se aproximou e deu a opinião dela:

– Os pais da Stefani vão chegar hoje de noite ou amanha de manha. Vamos espera-los para que eles decidam sobre isso.

Tatiane achou Pamela prudente, e foi seguida por Jessica. Já Laura, fechou a cara dizendo:

– Eles vão decidir o que? Mesmo que eles digam não, eu não tenho como garantir que ela consiga apenas controlar a transformação. O melhor é que ela treine normalmente, e não use os poderes.

Elas tinham um impasse, que teria que esperar para ser decidido. De um lado, pesava o fato de Stefani ter apenas 15 anos, beirando os 16, para ter poderes tão perigosos. De outro tinham o fato que parecia difícil que esses poderes pudessem ser controlados parcialmente a ponto de serem suprimidos.

Sem nenhuma conclusão, elas voltaram para a casa, já que todas estavam com fome.

Quando Leidiane ouviu os relatos de Pamela e Laura, ela largou os talheres e colocou as mãos na cabeça, se lamentando por ter causado essa situação.

Stefani que estava achando tudo muito interessante, começou a rir, e foi questionada por Tatiane, a respeito do que era tão engraçado, e a garota respondeu:

– Ninguém é culpado por nada! Ta certo que vocês não deviam ter levado as frutas para o hospital, mas, eu também não perguntei se podia comer… E de qualquer forma isso não vai sair de mim… Mesmo que me proíbam, vocês não tem como me impedir de treinar as escondidas.

– Nós levamos as frutas se acaso precisássemos recrutar alguém as peças. – Explicou Tatiane.

– Laura… Você explicou como nós treinamos? – Questionou Leidiane irritada.

– Só falei a verdade, nada mais. – Respondeu Laura rindo.

Depois de almoçarem, as mulheres coloridas ficaram debatendo com Augusto, Pamela e Laura o que fazer, mas novamente, não chegaram e nenhuma conclusão.

Então sem que ninguém percebesse, os pais de Stefani chegaram. Eles explicaram que não puderam esperar até o outro dia, e pediram desculpas a Augusto, que riu e falou que eles só haviam ficado para traz para se prevenirem, e que já tinha uma pessoa em que ele confiava para cuidar das coisas.

Depois que Estela e Otavio se ageitaram em um quarto, foram colocados a par de tudo o que havia acontecido, e o que havia sido discutido. Estela inconformada, não sabia o que fazer, mas Otavio, que surpreendentemente, aparentava estar calmo falou:

– Eu achei que minha maior preocupação seria ver minha filha saindo com rapazes, mas olha só… Tenho que decidir se eu deixo ela combater o crime, ou se proíbo e corro o risco de ela não treinar da maneira mais adequada, e causar um acidente, machucar ela e outros… Preferia os rapazes…

Todos ficaram quietos, e Stefani que estava irritada aproveitou:

– E o que eu penso, não importa? Sou eu quem vai lutar, sou eu que vai eletrocutar as pessoas! Ou não!

Todos se olharam , mas permaneceram calados, então a garota continuou:

– Vocês acham que eu realmente quero sair enfrentando malucos armados? Não, eu não quero! Se precisar eu vou, mas eu ainda quero viver bastante! Só que eu também não quero que o meu principal inimigo seja meu cobertor! Eu quero domina essa porra! E ai depois eu decido pra que usar esses poderes! Merda!

Todos ficaram calados por um tempo, até que Otavio resolveu falar:

– Eu não acredito que você falou palavrão! Achei que você nem sabia!

Todos riram e decidiram que deixariam Laura e Stefani treinarem a vontade, já que não havia mais o que se discutir.

Continua…

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