Mahou Tias #064 – Rumo Aos Índios

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A polícia questionou porque Tatiane e Viviane iriam viajar. A explicação foi que, Leidiane, inspirada pelas apresentações do Festival de Parintins, teve ideias para uma nova coleção de roupas. Tatiane, sua assistente, iria fazer uma pesquisa para ela, já Viviane por se interessar bastante por moda, iria ajudar.

Com a justificativa sendo aceita pela polícia, as duas tomaram um avião para o Amazonas.

Após algumas horas de voo, elas chegaram a uma Parintins mais calma, ainda se reorganizando após o festival.

Como elas não podiam simplesmente fingir que estavam trabalhando, as duas procuraram a cede do Boi Garantido, para conversar com os figurinistas, e entender melhor suas inspirações.

Como esperado, as duas foram sabatinadas com várias questões sobre o ocorrido em Campinas. Elas já haviam combinado respostas para os mais diversos tipos de perguntas, e mesmo com um ou outro deslize, pareciam satisfazer a curiosidade das pessoas.

Após jantarem e se recolherem no quarto do hotel onde estavam hospedadas, Tatiane se transformou, e Viviane vestiu as vestes de Leidiane junto de uma peruca vermelha.

Tatiane abriu a janela do quarto, voou para fora, Viviane subiu em suas costas, fechou a janela, e saíram em busca da tribo que lhes tinha entregue as frutas.

A noite estava fria, mas o céu não tinha nuvens, o que permitia que a lua lhes desse alguma ajuda.

Tatiane ficou procurando por mais de duas horas, até que viu um ponto luminoso, ao longe; no meio da mata.

Ela julgou que o local estivesse mais próximo, mas demorou mais de meia hora para chegar.

Ao chegar no local de onde vinha a luz, ao invés de uma clareira com uma fogueira, encontraram um homem seminu, de pé sobre uma árvore, segurando uma tocha. Ele apontou o chão para as duas que pousaram. Habilidosamente ele desceu da árvore acenando com a cabeça para que elas o seguissem.

Mais cerca de vinte minutos de caminhada, em mata fechada, se passaram, até que Tatiane reconhecesse um lugar familiar, com algumas ocas, mulheres e homens sentados na terra, em volta de algumas fogueiras.

Elas não estavam exatamente em uma clareira, era um espaço aberto, porem, a mata ao redor era muito densa, além ser rodeada por árvores com copas muito altas. A luz da lua, praticamente não chegava ali, tão pouco a luz daquelas fogueiras poderia ser vista do alto.

O índio que as guiava, saiu andando no meio de seus irmãos e irmãs, seguido de perto por Tatiane e Viviane.

Então, o índio parou, na frente de outros dois índios mais velhos. Um deles era bastante musculoso, tinha um cocar com penas coloridas, um colar feito com presas de animais, e um belo arco adornado junto aos pés. O outro, não tinha cocar, mas ostentava um colar com bicos de aves, e fumava algum tipo de folha.

O índio que as guiava, falou algo em uma língua que as duas não conheciam e se afastou, deixando o caminho aberto para as duas. Tatiane respirou fundo, tomou a frente e falou alto:

– Vocês deram frutas preciosas a mim e outras mulheres. Nos usamos os poderes destas frutas para lutar contra pessoas ruins. Acabamos encointrando um inimigo muito forte, e precisamos de treinamento.

Os dois índios que pareciam ser os lideres se levantaram, e aquele que tinha o cocar de penas falou:

– Me lembro de você, com cabelos cor do céu, mas não da outra.

Tatiane achou que o português do cacique estava bem melhor, e atribuiu isso ao contato que a FUNAI começou a estabelecer com aquela tribo.

Tatiane apresentou e explicou que Viviane, não tinha comido nenhuma das frutas, e sim que ela descobriu ter uma forte ligação com os espíritos.

O cacique olhou para o índio que tinha o colar de bicos, que falou:

– Mulher com cabelos de fogo tem poder. Espíritos avisaram. Ela precisa aprender.

Tatiane olhou o pajé de cima abaixo, reparando que ele tinha a cicatriz de um ferimento próximo da garganta. Ela apontou para a própria gargante e lhe perguntou o que era aquele ferimento. O pajé respondeu que aquilo deveria ficar para depois do treino. Percebendo que os índios as ajudariam, Tatiane falou, fazendo uma reverencia:

– Nos agradecemos pela ajuda. Vamos terminar alguns assuntos em Parintins. Depois disto voltaremos.

– Da próxima vez, não haverá um dos nossos esperando. Vão achar este lugar sozinhas. – Falou o cacique autoritariamente.

Tatiane aceitou, pediu para que Viviane subisse em suas costas, e começou a voar em linha reta para cima. Quando chegou no alto, tirou de baixo da saia um GPS automotivo, com o firmware modificada, e marcou o local no aparelho. Viviane riu e as duas voltaram para o hotel.

As duas passaram mais dois dias com o pessoal de Garantido, e então mais três com os integrantes de Caprichoso.

Depois de terem recolhido um bom material para a nova coleção de Leidiane, as duas começaram a se preparar para uma trilha de alguns dias na mata, com o objetivo de obter fotos para ajudar nas pesquisas.

Elas também conseguiram um documento para mostrar a alguma tribo que por ventura encontrassem.

Munidas de comida, maquina de fotografia, GPS, e várias baterias reservas, elas se enfiaram no meio da mata, e caminharam até que estivessem longe o suficiente, para que pudessem ir até o pajé sem chamar a atenção.

Usando o GPS modificado, elas encontraram o local, e quando pousaram no meio da tribo, o cacique falou:

– Só pode ser GPS… Essa bruxaria me assusta.

– Bruxaria das cidades. – Disse o pajé.

Continua…


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