Contos – A Vida Entre Os Humanos

Contos - Três Quartos Cego Capa

Ao lado da casa da mulher, haviam uma outra construção, onde a égua e a ave ficavam.

A mulher continuava dando de comer as duas, enquanto tratava da ferida da égua.

Vários humanos, machos e fêmeas, vinham até a casa da mulher para buscar roupas.

Vez ou outra a égua e a ave ficavam observando a mulher transformar pedaços de tecido, em roupas que agradavam os humanos que as buscavam.

O filhote da humana, vivia em um quadrado de madeira, interagindo com imitações humanas feitas de pano.

A ave desconfiava que o filhote também era fêmea. Já a égua não havia se importado com isso.

Enquanto a mãe dava banho no filhote, ave e égua puderam comprovar que a criança era uma fêmea.

As duas amigas, ainda queriam encontrar o fim da estrada, no entanto, estavam se sentindo seguras ali.

A mulher humana era gentil com elas, e poucas vezes montou a égua.

Porem quando montava, não colocava aquelas coisas que machucavam a boca da égua.

Ave e égua podiam entrar na casa da mulher, e interagir com a filhote. No entanto, suas necessidades, deviam ser feitas na área em que dormiam, do contrário, a mulher ficava brava.

Toda vez que interagia com a filhote a ave se sentia assustada, pois a criança queria pegá-la.

A criança pegava no focinho da égua, e puxava seus pelos, porem isso não a incomodava.

Por vezes a mulher saía, deixando a criança sobre os cuidados da égua e da ave.

Uma certa noite, enquanto todas comiam, a mulher emitiu alguns sons para as duas amigas:

– Vocês não são comuns… Vocês são mais espertas que as outras éguas e aves. Algo me diz que seu futuro tem grandes coisas reservadas.

As amigas não compreendiam o que os sons diziam. Mas sabiam que a mulher as elogiava, e de certa forma até temia por elas.

Vários outros humanos ofereciam ouro pelas amigas, mas a mulher não aceitava. O que deixava as duas satisfeitas.

Égua e ave, estavam começando a entender, que nem todos os humanos eram iguais, que haviam humanos que não as viam como material de trabalho, como ferramentas, lhes dando valor.

Quando as três saíam juntas, muitos outros humanos olhavam para a égua com receio. Mas a mulher acalmava as pessoas, fazendo carinho na égua e até na ave.

Por vezes as duas reencontravam o caminho da estrada, nos passeios, mas ainda queriam permanecer junto a mulher.

Fora o fato de que a ferida da égua ainda não havia sarado.

Um humano passou a frequentar a casa da mulher, passando as noites lá, saindo de dia.

Ele parecia receoso com a égua, mas como ela não sentia hostilidade nele, o ignorava.

Ao contrário da mulher o homem não era tão gentil, mas também não era bruto quanto outros que as duas amigas já haviam conhecido.

Com o passar dos dias a mulher foi passando confiança pro homem, que passou a ser mais gentil com as amigas.

Com o tempo, o homem trouxe algo que pareciam suas coisas para a casa da mulher, passando a viver lá.

A égua também percebeu com espanto, que sua barriga crescia, e que havia algo lá dentro.

A mulher dizia para seu filhote que havia um outro filhote na barriga da égua.

As amigas não compreendiam as palavras, mas de alguma forma, sabiam o que queriam dizer, a égua estava gravida do macho alfa.


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