Contos – Reencontro

Contos - Três Quartos Cego Capa

As amigas andaram muito, mas muito mesmo. Passaram por várias cidades, onde tiveram problemas, o por onde passaram sem problemas.

Mas em fim elas foram recompensadas, elas encontraram o fim da estrada.

Após atravessar a última cidade, a estrada terminava no pé de uma montanha.

As amigas ficaram sem entender, afinal, o fim não podia ser aquilo.

Elas se deprimiram, mas insatisfeitas, começaram a andar pela mata ao redor da montanha.

A barriga da égua havia crescido bastante. A asa da ave havia parado de doer.

Passaram mais alguns dias cavalgando e voando pela mata.

Elas acabaram indo parar em um lugar com muita grama e um belo lago.

Parecia um bom lugar para se viver.

Elas começaram a explorar o local, que parecia ter muita comida e bebida, que não faltariam nunca.

Também haviam arvores que davam frutos, e muitas ervas, também haviam frutos que saiam do solo.

As amigas suspeitaram que esse devia ser o verdadeiro fim da estrada, já que muitas vezes, a estrada tinha mais de um caminho para se seguir.

A égua começou a comer alguns frutos, enquanto a ave ciscava o solo.

Então as amigas sentiram uma presença familiar. Olharam para o lado e viram o macho alfa.

Mas ele estava diferente, haviam asas saindo das laterais de seu corpo.

O macho alfa se aproximou lentamente observando as duas. Quando ele chegou perto, emitiu sons iguais aos dos humanos:

– Quem diria que eu te encontraria! Eu te vi me esperando nas chamas.

A égua não entendia o que os sons significavam, mas sabia que o alfa estava surpreso.

O macho alfa não parou de falar:

– Eu aprendi a voar. Agora estou entre os deuses! Posseidon me adotou e está me ensinando. Eu não sou um deus, mas também, já não sou mais um mero cavalo. Eu sou mais! Agora tenho um nome imponente, me chamo Pégaso!

A égua e a ave continuavam sem entender tantos sons, mas começavam a sentir medo do macho alfa.

A égua mostrou ao Pégaso, que estava gravida dele.

O alfa serrou os olhos, encarou a barriga da égua, cheirou o ar. As amigas sentiram medo. O Pégaso disse:

– Que desprezível, um filho da época em que eu era um cavalo qualquer! Eu não posso deixar essa mancha na minha vida.

Pégaso girou nas patas frontais, escoiceando a égua, que caiu de lado no chão.

O alfa começou a pisotear a barrira da égua. Era possível ouvir sons de ossos se partindo.

Quando percebeu que havia destruído seu filho, Pégaso deu as costas e voou para longe.

Não só o filhote da égua havia sido machucado, saia sangue de dentro dela, que sentia muitas dores.

A ave começou a voar no céu piando alto, pedindo por ajuda. Ela sabia que a amiga podia morrer.


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