GlaucOma #01 – A Nova Casa

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Glauc na linha superior Oma na linha iferior. Texto Alinhado a esquerda, em azul, com contornos azul escuro, sobre fundo azul, não tão claro, com um par de olhos na divisa das linhas, alinhados a direita.

Era um sábado de carnaval, a manhã estava ensolarada e quente. Vários carros aproveitavam o feriado de carnaval, para ir para o interior, ou rezar em Aparecida.

Dentre esses viajantes, havia um grupo, composto por dois carros e um caminhão de mudanças. Uma família estava se mudando, eles saiam de São Nunca, em direção a cidade de Santa Luzia do Sul.

Santa Luzia, era uma cidade peculiar, foi fundada com o nome da santa protetora dos olhos, por ter sido fundada em 13 de dezembro, de 1989. 13 de dezembro, é o dia destinado a celebrar a santa.

No entanto, a cidade acabou seguindo um caminho diferente do religioso. Por ser perto de Aparecida, o primeiro prefeito, decidiu não seguir pelo caminho da fé, mas sim, pelo caminho da indústria e pequenas empresas.

Como resultado, alguns de seus bairros foram recebendo nomes, ligados a tecnologia e modernidade, como Jardim do IP. No entanto, o IP do nome do bairro não era ligado, a árvore, mas sim, a tecnologia de endereçamento usada na internet, ou Tokyo, se remetendo a capital japonesa.

Dentro de um dos carros, um Fox vermelho, estava a família Hercúleo. No volante ia o pai, Gilmar, no banco do passageiro, Neide a esposa. A traz, Glauco e Oma, o casal de gêmeos da família.

Os jovens, que recém haviam completado 15 anos, em 13 de janeiro, tinham algumas semelhanças. Ambos tinham cabelos azuis, apesar de o do garoto, ser mais puxado para o escuro, e o da garota, mais para o branco.

Além de seus tipos físicos semelhantes, eles compartilhavam de uma doença, o glaucoma congênito, uma doença, de nascença, que acaba aumentando a pressão ocular, prejudicando a córnea e o nervo ótico.

Decorrente da doença, eles eram deficientes visuais, mas não cegos, e sim baixa visão.

Um baixa visão, é um deficiente visual, que ainda enxerga, mas o faz com muita dificuldade, não conseguindo ver coisas corriqueiras.

Uma das formas que os pais encontraram de enfrentar a doença, foi usar sua denominação, para nomear os filhos, como Glauco e Oma, formando a palavra glaucoma.

Oma, com seu iphone 6s, e um par de fones de ouvido, lia um romance. Ela era mais chegada em leitura do que o irmão, não que ele não gostasse, mas o real interesse dele era música, o que ele fazia na outra extremidade do banco.

Oma sofria um grande conflito interno. Gostava tanto de livros, que fazia questão de recompensar os escritores. No entanto, seus pais, não podiam gastar com livros, o tanto que ela queria. Então ela tinha que se valer, da vantagem de ser deficiente visual, e ter a lei a seu favor, e portanto, o direito de consumir livros, sem precisar pagar por eles, e sem que isso, fosse considerado um crime.

No entanto, sempre que tinha uma oportunidade, comprava os livros que queria. Ela jurava que quando adulta, daria um jeito, mesmo que lentamente, de comprar cada livro que já tinha lido.

Glauco por sua vez, não tinha esse conflito, segundo ele se a lei permitia, estava tudo bem.

Mas para Oma não era tão fácil assim, já que muitas leis favoráveis aos políticos, podiam ser consideradas imorais. Então, ela não sabia dizer se pegar livros de graça era imoral ou justo.

Quando entraram na cidade, Gilmar, deu um tapinha na perna da filha, e em seguida na do filho e disse:

– Pessoal, estamos chegando!

– Que droga, vamos ter que sair do ar condicionado. – Disse Oma.

Já Glauco ficou feliz, ele não gostava muito de ar condicionado. Se preparando para a chegada na nova casa, o rapaz, já foi guardando as coisas em sua bolsa.

Oma, por sua vez, continuou lendo por mais alguns minutos, até que o pai dissesse que já estavam no bairro.

Quando entraram na rua onde ficaria sua casa, no Jardim do IP, Glauco começou a rir:

– Quem diria que um dia nos iriamos morar em uma rua, que tem números como nome.

A garota, deu um sorriso, concordando com o irmão:

– 192.168.1.1, é o IP de administração do roteador né Glauco? – Questionou a garota.

– Será que a TP-Link ta patrocinando essa rua? – Indagou o garoto.

Ao chegarem na casa, um sobrado de dez metros de frente. Uma moradia que conseguiram comprar juntando o dinheiro que receberam de Jorge Ramon, pela casa em São Nunca, mais uma parte das economias.

Santa Luzia do Sul, era uma cidade, que ainda não havia sido descoberta por muita gente, como tendo oportunidades, interessantes, por isso tinha moradias baratas e grandes.

Assim, que chegaram na casa, por volta das 9 e 30 da manhã, começou o processo de montagem dos móveis.

Um dos carros que acompanhava o carro da família e o caminhão de mudanças, era ocupado por montadores da empresa de mudanças.

Eram quatro homens, todos bem fortes, dois negros, um branco e um moreno, que se juntaram ao motorista do caminhão, que certamente não poderia ajudar muito, dada sua aparência de velho acabado.

A prioridade foi montar a cozinha, para terem onde almoçar.

Os cinco membros da empresa foram, em um mutirão, montar a cozinha. O motorista, acabou surpreendendo a todos, pois apesar de sua constituição aparentemente frágil, o homem, ajudava tanto quanto os quatro bombados.

Em uma hora, a cozinha já estava pronta, para ser arrumada.

Enquanto isso, Gilmar e Glauco, foram levando as caixas dos quartos, para os andares de cima.

Oma e Neide, organizavam as coisas que seriam colocadas na cozinha.

Após o termino da montagem da cozinha, mãe e filha, foram organizar as coisas.

Em seguida, o pessoal da mudança, foi para a sala, que ficou pronta em 30 minutos.

Enquanto a lavanderia era organizada, Glauco e o pai ficaram organizando a sala.

Então, chegou a hora do almoço, e Gilmar foi até uma padaria comprar pão com mortadela. Para os homens da mudança, ele perguntou se queriam marmita, ou comeriam pão. O senhor motorista disse:

– Se nois pude fica com o dinheiro da marmita, o pão vai desce lizo.

O pai deu o dinheiro da marmita para o cinco, e distribuiu pães com mortadela.

Assim que terminaram de comer, os homens retomaram o serviço, partindo para montar os quartos superiores.

Começaram pelo quarto de Glauco. Enquanto isso, Gilmar puxou o filho pelo pescoço dizendo:

– Vem me ajudar a tirar as caixas com as roupas de sua irmã daqui, não quero que esses caras fiquem perto delas.

– Pai, eu sou o adolescente, eu que devia ter a mente poluída. – Disse o garoto,

– Tenha uma filha mulher e vai me entender. – Respondeu o pai.

Glauco deu de ombros, e começou a puxar as caixas.

Oma subiu as escadas, e viu suas caixas sendo tiradas de seu quarto, perguntando:

– Porque vocês tão fazendo isso?

– A filha, pra da mais espaço pros homens trabalharem, você tem muita coisa.

A garota ficou sem entender. O irmão foi por traz dela e cochichou em seu ouvido:

– O pai ta com medo dos caras fazerem alguma sem-vergonhice com suas coisas.

– Isso é preconceito pai! – Cochichou a garota no ouvido do pai.

– Não é por causa da cor deles, ou por serem operários, é porque você, é uma adolescente linda. – Respondeu o pai também cochichando.

Pouco antes das 18 horas, todo o trabalho que dependia dos cinco trabalhadores, estava pronto. Então, o resto do fim de semana foi de arrumação.

Agora caberia a eles explorarem e descobrirem a nova cidade.


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