A Guarda da Flor – Genesis 013 – A Evolução De Péya
O agora trio, voltou a caminhar. As amigas já não se importavam mais com o fim da estrada.
Com o tempo que passou deitada, a égua pode compreender um pouco mais os humanos, observando Sohac.
Na casa em que viveu junto da ave e da mulher, as pessoas se chamavam por palavras que eram sempre iguais.
Sim, agora ela compreendia o que era uma palavra. Os sons que os humanos emitiam, tinham intervalos, e cada som entre esses intervalos era uma palavra.
Ela também havia intendido que, Sohac, Heleg e Péya, eram palavras que se referiam a cada um deles.
Passar a reconhecer essas três palavras, foi a chave para que a égua começasse a diferenciar uma palavra da outra, apesar de ainda não saber o significado individual de cada uma.
Agora a égua, estava mais atenta do que nunca aos sons que Sohac emitia, tentando fazer correlações entre cada palavra e o que o homem fazia.
A ave por sua vez, não chegou no nível de entendimento de Péya, mas sabia que aqueles três sons se referiam a cada um do grupo.
No entanto Heleg e Sohac, desenvolveram uma forma peculiar de se comunicar.
Sohac havia entendido como a ave piava quando percebia ameaça, quando via comida, e quando desconfiava que iria chover.
Heleg aprendeu a entender os movimentos de braço de Sohac, e sabia quando ele apontava ou queria pegar algo, lhe bicando o braço, na direção onde ele devia levar a mão.
Sohac, também havia aprendido a entender Péya, baseado em seu relinchar.
Mas quem mais havia crescido naquelas semanas havia sido Péya.
De uma forma inexplicável, conhecimento sobre o mundo foi lhe adentrando a mente. Ela passou a entender por que os humanos usavam roupa, porque seus filhotes eram tão dependentes dos mais velhos, como a vida se equilibrava, com animais comendo uns aos outros para sobreviver, a as plantas morrendo para dar vida as outras.
Entender as coisas, parecia cada vez mais fácil. Ao mesmo tempo que isso assustava Péya, a empolgava, e a fazia se esforçar para saber mais.
Uma bela noite, enquanto faziam uma fogueira no meio da mata, o trio foi abordado por outros humanos que tentaram agredir e roubar Sohac.
Apesar de Heleg ainda não entender o conceito de roubar, Péya entendia. Revoltada a égua saiu em defesa do amigo, atacando os ladrões.
Entendendo os sentimentos da égua, Heleg se juntou ao combate.
No fim, os assaltantes fugiram quebrados e assustados.
Péya sentia uma energia correr seu corpo. De repente, tudo ficou branco.
Sohac e Heleg se assustaram, Péya brilhava como o sol! E de suas costas começavam a crescer asas.
Quando a égua parou de brilhar ela perguntou:
— Sohac, você está bem?
