Depois que as esferas de luz desapareceram no céu, todos começaram a chorar. Aqueles que haviam ido jamais voltariam.
Vitório, que todos pensavam estar desmaiado, falou:
- Descansa, meu pai.
Quando percebeu que o perigo e as coisas estranhas tinham acabado, Fake saiu de dentro da kombi e se aproximou de Viviane, lambendo seu rosto.
Ricardo, que estava com a voz fraca, pediu para que Bolinha se aproximasse dele. Quando ela chegou perto ele falou:
- Nós fomos sequestrados. Nos forçaram a pegar os veículos. Quando chegamos aqui, queriam nos dar de comida para as plantas demônio. As Supermulheres apareceram, nos ajudaram a vencer as plantas e depois todos lutamos com a bruxa que controlava as plantas.
- Mas porque sequestrar a gente? – Questionou Tatiane.
- Porque eles perceberam que a Stefani descobriu sobre as pelúcias. – Respondeu Ricardo.
Bolinha olhou em volta vendo o resto das plantas, começando a ficar esperançosa. Mas voltou a questionar o rapaz:
- É, mas só tinham dos nossos quando pegaram os veículos! Além de não ter registro telefônico de nada.
- Bom… Fomos induzidos por magia ou vozes ficavam falando em nossas cabeças. – Falou o rapaz.
- Essa é a melhor saída… Procura pelo corpo da Laura, do cavalo e do cara que tava mandando ver na bruxa. – Falou Mário.
Bolinha saiu voando na direção de onde a bruxa havia aparecido e encontrou um cavalo caído. Quando ela se aproximou, viu que era o animal de Laura.
Ela entrou na casa e encontrou os corpos de Laura e do homem. No galpão ela encontrou o chão coberto de sangue, barris que ainda vazavam o líquido e um livro parcialmente queimado, em uma bancada.
Ela pegou o livro para ler e viu instruções para a fabricação de poções, danificadas por fogo.
Tatiane voltou até os companheiros que tentavam se levantar e cuidar uns dos outros, explicando tudo.
Ricardo foi rápido em sugerir que Laura escapou e encontrou a casa da bruxa. Mário pediu para Tatiane ir até a estrada chamar ajuda.
Todas as Mahou Tias, incluindo Tatiane, voltaram a sua forma civil, porém mantiveram os ferimentos.
Tatiane rasgou as próprias roupas e das outras, tentando deixar os rasgos compatíveis com os ferimentos.
Tatiane ficou cerca de quinze minutos pulando no acostamento, até que um caminhoneiro parou e perguntou quanto era o programa. Tatiane se desesperou e gritou:
- Meus amigos e eu fomos sequestrados, tem gente morrendo, chama a polícia.
O caminhoneiro pegou o celular, acendeu a lanterna e iluminou o rosto de Tatiane. Quando ele viu os cortes e arranhões em seu rosto, ele desceu do caminhão e ligou para a polícia.
A atendente estava tendo dificuldades em acreditar na história de Tatiane, porém uma viatura da polícia rodoviária que passava por ali assumiu e seguiu as instruções de Tatiane, chegando até o local onde os outros estavam.
Os policiais examinaram um por um e ficaram desesperados. Augusto, Ricardo e Vagner já estavam inconscientes. Então pediram reforços e viaturas de resgate.
Tatiane deu instruções de onde ficava a casa da bruxa. Os policiais que foram até lá se assustaram, pois a quantidade de sangue no chão do galpão era assustadora.
As evidências faziam a polícia começar a acreditar que eles tinham ido para lá por influência mental.
O resgate passou a ser acompanhado por todas as emissoras de TV. Quando a informação de que as pelúcias da Nunca + Brinquedos roubavam sangue vazou, todos os canais que estavam cobrindo o evento fizeram demonstrações ao vivo de como o algodão ia ficando vermelho ao contato com a mão.
Funcionários da Nunca + Brinquedos e moradores de São Nunca queriam invadir a fábrica para queimá-la, porém a polícia impedia pois o local era necessário para as investigações.
Augusto, Ricardo e Vagner, segundo os boletins médicos, estavam em estado gravíssimo, correndo risco de morte.
Todos os outros, incluindo Tatiane, foram colocados em Semi-UTIs, para que fossem melhor examinados e ficassem devidamente isolados.
O grupo foi dividido em dois hospitais de Campinas, já que os feridos tinham sido encontrados dentro dos domínios da cidade.
Conforme as horas iam passando, os feridos iam melhorando e as investigações avançando.
Apesar de não ter muito como provar, a polícia já tinha aceitado a história de prática de magia das trevas, mas o depoimento das vítimas ainda seria necessário.
A polícia passou a pedir ajuda para especialistas em ocultismo e demonologia, para investigar o caso.
Durante a noite do domingo vazou a informação de que foram encontradas sementes de plantas que eram usadas para a cultura do algodão que roubava sangue, e que essas plantas também conseguiam absorver, mesmo à distância, o sangue roubado pelo algodão.
Segundo o vazamento, essa informação saiu do livro que estava parcialmente queimado. E as sementes estavam escondidas em compartimentos secretos nas paredes da casa da bruxa.
Até segunda ordem, a polícia considerava os feridos como vítimas e suspeitos, sempre mantendo vários soldados tomando conta deles.