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Mahou Tias 067 - Sentimentos Ocultos

23/01/2025
Por Danilo Sanches Ferrari

Depois que foi deixada pelo pajé, Viviane ficou andando em volta da grande árvore, tentando imaginar o que deveria fazer.

Pelo que ela entendia, escutar os animais e suas preocupações não era o suficiente. O pajé agiu como se ela e Tatiane não tivessem tido sucesso algum.

Ela se perguntava se era possível escutar a alma das árvores e se porventura não era o que o pajé pretendia. De uma forma boba, ela pensou que Laura podia tê-la preparado para o básico. Agora, fazia o curso avançado.

Por mais que ela julgasse ter entendido o que o pajé pretendia, ela não sabia por onde começar. Então, novamente se sentou aos pés da grande árvore e passou a se concentrar para escutar.

Novamente ela escutava os animais com suas preocupações e afazeres. Nada que ela já não tivesse escutado no dia anterior.

Viviane sentia o vento percorrer sua pele, fazendo com que ela se arrepiasse de frio. Passou a abraçar a si mesma, na tentativa de se aquecer.

O tempo ia passando e Viviane se entediava. O tédio a fazia pensar sobre a própria vida, o que começou a deixá-la deprimida.

Ela começou a lamentar por ter perdido suas amigas, com quem costumava sair. Ela tinha Stefani, mas esta era muito certinha e o instinto de liberdade de Viviane não se sentia bem com o jeito da menina.

Viviane pensava que isto se devia ao fato de seus pais não serem pessoas com tantas frescuras.

Viviane tinha para si que as amigas com quem saía não eram realmente confidentes. Eram amigas da curtição e da sacanagem. Talvez Stefani pudesse ser esta confidente, mas novamente a maneira mais certinha dela não dava muita confiança para que Viviane se abrisse.

Então, Viviane se questionou, por que tinha beijado Stefani quando foi lhe pedir desculpas? Na época, tinha uma pontinha de provocação, mas na verdade o que era? Viviane nunca tinha visto problemas em trocar carícias e prazeres com outras garotas.

De certa forma, conseguir que Stefani retribuísse ao beijo poderia ser considerado uma vitória. A menina estaria se tornando mais liberal e, consequentemente, alguém melhor para troca de confidências.

Então Viviane percebeu que o pajé a observava, sem dizer nada. Ela perguntou o que ele queria e o homem falou:

- Escutar a natureza é difícil. Mas também é difícil ouvir o próprio coração.

Viviane deu de ombros e voltou a refletir sobre a vida, já que o pajé adorava falar de forma enigmática.

Depois de alguns instantes, Viviane julgou que talvez ele não estivesse sendo tão enigmático. Afinal, o que ela estava fazendo naquele momento não era refletir sobre sua vida, ou seja, pensar sobre suas tristezas e alegrias?

Em meio a este questionamento, Viviane se lembrou do dia que mudou sua vida. Curiosa para saber onde os pais trabalhavam, ela enganou a tia que cuidava dela e saiu sem ser vista. Pelos fundos da boate Viviane entrou sem ser vista e, como já tinha um corpo bem definido para a idade, passou despercebida.

Então, distraída com as luzes e procurando os pais entre os garçons e atendentes no bar, eis que ela os vê transando sobre o palco.

O choque foi grande. Ela só tinha lembranças vagas dos pais nus, da época em que tomava banho com eles. Por mais que já tivesse plena consciência de como os bebês eram feitos, ver os pais, e principalmente seus genitais, daquela forma tão escancarada a deixou perplexa.

No dia após o incidente, Viviane contou para os pais o que tinha visto. Eles tiveram uma longa conversa, onde explicaram para Viviane como era o trabalho deles, pra que servia e como ela devia agir.

Além disso, a tia de Viviane parou de tomar conta dela e os pais da garota haviam parado de olhar para ela como uma pré-adolescente, mas sim como uma moça, que já podia ter controle sobre parte de sua vida e sobre seu corpo.

Tanto foi que Viviane passou a cozinhar para a família enquanto os pais não acordavam do descanso, da noite de trabalho.

Viviane se lembrou de como sentiu vergonha no começo, pois ficou imaginando como seria quando os colegas ficassem mais velhos e começassem a frequentar boates. Eles certamente veriam os pais dela se apresentando e passariam a tirar o sarro dela. Contudo, isso não aconteceria se ela não fosse tão diferente dos pais.

Então, Viviane se pegou sentindo um pouco de raiva dos pais, por não terem mentido melhor e a terem feito amadurecer de uma forma brusca para se proteger do futuro. Ela sentiu vergonha por não ter tido pleno controle de sua vida e ter perdido sua virgindade apenas por perder, sem ter escolhido alguém de quem realmente gostasse para isso. Não precisava ser o homem da vida dela, mas também não precisava ter sido qualquer um.

Não que ela não tivesse aprendido a gostar dessa forma mais liberal de levar a vida; no entanto, se ela não tivesse sido tão atirada, hoje Ricardo poderia ser dela e não de Stefani.

Viviane passou a sentir uma brisa quente percorrer seus ombros, enquanto folhas caíam sobre sua cabeça.

Viviane também compreendeu que o soco que deu em Stefani foi um soco que deu em si mesma. Junto com o incidente no hospital isso a fez pensar que, às vezes, aquelas pequenas coisas que não julgamos importantes ou que até mesmo rejeitamos fazem parte de nós.

Stefani podia ser considerada o que Viviane podia ter sido, se não tivesse presenciado os pais naquela situação.

Viviane também entendeu que Stefani não era tão recatada, pois o incidente com o massageador mostrava muita curiosidade de Stefani. Viviane compreendeu que ambas poderiam aprender uma com a outra.

Então, Viviane escutou uma brisa que mais parecia um suspiro dizendo:

- O mesmo com a gente.

Viviane se assustou. Ao olhar para o alto, jurou que estava vendo um homem de vento, despido de vestes. Olhou para o topo da grande arvore e viu uma mulher que tinha o corpo nu, feito de terra, com cabelos de folha. Pousada um galho acima da mulher de terra, uma ave que era o próprio fogo. No galho de uma outra árvore estava sentada uma sereia nua, feita de água. E ao olhar para o céu viu uma face feita de raios.

Viviane, impressionada, perguntou:

- Vocês são os espíritos da natureza?

- Somos, responderam os cinco em uníssono.

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