Bolinha tinha em mente que chegaria em casa quebrando a janela de seu quarto. Contudo, enquanto se aproximava, notou que por algum motivo a janela estava aberta.
Ela sabia que algo havia entrado em seu quarto, mas de onde estava não podia ver o que era.
Quanto ela apareceu na janela, um jato branco e gosmento lhe envolveu na altura da cintura, impedindo que ela afastasse os braços do corpo.
À frente, Bolinha via Vagner envolvido pelo que parecia ser um casulo de teia, que estava pendurado a uma aranha de cerca de dois metros de comprimento, que estava no teto do quarto.
Ela também notou que uma luz parecia sair do casulo e caminhar pelos fios de teia até a aranha.
A criatura tinha o dobro de olhos de uma aranha normal e era coberta por escamas vermelhas.
Bolinha sabia que o estranho animal estava sugando a energia do marido. A mulher fez força e conseguiu se livrar da teia. Em seguida, pulou sobre a cama, chutando o grosso fio que prendia o marido à besta.
O fio era bastante resistente e não quebrou. A aranha voltou a disparar teia em Bolinha, que por causa da distância não teve como se desviar, tendo o tronco e parte do rosto envolvidos.
Novamente ela livrou os braços e disparou um forte jato de água na criatura, que parecia não sentir nada.
Bolinha saiu pela janela. Do lado de fora, tirou a teia do corpo. Então, tentou se concentrar nos fluidos que corriam no corpo da besta. Por algum motivo, não os podia controlar.
Bolinha foi até a frente da casa e entrou. Seguiu até a cozinha, pegou uma faca de açougueiro e subiu até o quarto, tentando pegar a aranha pelas costas.
Porém, para a surpresa de Bolinha, a criatura estava olhando para a porta do quarto quando ela entrou. A criatura disparou mais teia e a mulher se desviou, saltando para fora do alcance.
A mulher mágica entrou no quarto que seria de seu filho, saiu pela janela e tentou entrar pela janela do quarto do casal, mas novamente foi recebida com um jato de teia.
Bolinha conseguiu se desviar do jato e voou com tudo para dentro do quarto na direção da aranha. Ela aplicou facadas no corpo e na cabeça da criatura, que desviavam sem causar dano, por causa das escamas.
A criatura voltou a disparar teia. Enquanto era coberta, a mulher foi serrando o fio que ligava a aranha ao casulo onde estava o marido.
Bolinha perdeu grande parte da mobilidade e caiu deitada no chão. A besta saltou do teto sobre a mulher, tentando mordê-la com suas presas.
Bolinha fez água começar a surgir em volta de seu corpo, rompendo a teia. Em seguida, começou a fazer a água envolver a criatura.
Enquanto a mulher tentava envolver e esmagar a aranha usando a água, a besta a perfurou com uma das patas no ombro esquerdo.
Bolinha gritou de dor e perdeu a concentração no que fazia. A aranha aproveitou, e cravou outra pata em seu ombro direito.
Bolinha estava sentindo muitas dores e estava ficando tonta. Imaginando que as patas pudessem estar envenenadas, ela usou tudo o que tinha para envolver e apertar a aranha.
A mulher deu tudo o que tinha, mas as escamas não cediam, no entanto a criatura começou a engolir a água. Bolinha aproveitou que a criatura estava engolindo e foi guiando a água, para que entrasse no animal através da boca.
A criatura tentava fechar a boca, mas Bolinha mantinha um fluxo tão intenso que fazia a água entrar à força.
Os minutos foram passando e a aranha foi sendo preenchida por água. Quando a criatura já estava começando a vazar água por trás, Bolinha começou a girar o líquido dentro da besta.
O movimento começou a destruir os órgãos internos do monstro, que foi amolecendo e desfalecendo sobre Bolinha.
Exausta a mulher retirou as patas da criatura de seus ombros e a contornou, percebendo que a criatura tinha duas cabeças. Uma na frente e outra onde deveria estar a bunda.
Bolinha foi até uma das gavetas do criado-mudo, pegou uma arma do marido, a introduziu em uma das bocas do monstro e disparou. Em seguida fez o mesmo na outra boca, para ter certeza que a criatura havia morrido.
Ela estranhou o fato de a criatura não ter se afogado, mas deveria ser um monstro com habilidades especiais.
Com a faca ela abriu o casulo e constatou que Vagner estava vivo, aparentando estar cansado.
Ela retirou o homem da teia e se deitou ao lado dele, cansada.