Adubo sabia que tinha problemas, pois Raquel poderia estar ameaçando tanto Augusto, quanto seus pais adotivos.
Por causa da distância, a mulher resolveu passar primeiro na casa de Augusto.
Quando chegou lá, se deparou com uma serpente com asas tentando agarrar o homem, que se defendia com uma cadeira que aparentava estar queimada e derretida.
A batalha entre Augusto e a serpente ocorria no quintal, local onde o homem tinha alguns vasos e uma pequena horta.
A serpente voadora não era tão grande, tinha a altura de Stefani. Também não era muito larga.
Adubo fez as plantas que estavam nos vasos crescerem e criarem cipós, que moveu na direção da criatura. Por estar distraída com o homem, a serpente não percebeu o ataque.
Assim que os cipós agarraram o monstro, Adubo pulou sobre ela, quebrando-lhe ambas as asas.
A criatura caiu no chão, começando a cuspir pequenos jatos de fogo. Eles não atingiram Adubo nem Augusto, que se desviaram facilmente.
O homem, aproveitando que a namorada estava sobre a criatura, foi até um quartinho que ficava no quintal, pegou uma serra elétrica, ligou na tomada e se aproximou do monstro para decapitá-lo.
Augusto percebeu que as escamas vermelhas que envolviam o corpo da criatura não cediam. Então aproveitou um intervalo entre as cusparadas de chamas do bicho, enfiando a ferramenta em sua bocarra.
A criatura soltou uma espécie de guincho enquanto tinha sua garganta serrada pela lâmina, que já não era mais tão afiada, por ter sido gasta nas escamas.
Quando tiveram certeza que a serpente havia morrido, ambos ficaram aliviados. Mas Adubo se lembrou de seus pais e ficou preocupada, achando melhor ir visitá-los.
Augusto quis ir junto e subiu nas costas da namorada, que voou e o levou consigo.
Alguns minutos após ter decolado, Adubo ouviu Wind perguntando no comunicador se todos estavam bem. Para o desespero de Adubo, apenas ela respondeu.
Wind perguntou onde Adubo ia e a mulher explicou. A mulher dos ventos pediu para que assim que possível Adubo fosse até a casa de Faísca. A controladora das plantas confirmou que o faria e seguiu seu caminho.
Ao chegar à casa dos pais, viu os dois na rua sendo atendidos por alguns vizinhos.
Adubo recuou, deixou Augusto algumas ruas distantes do local e voltou para ver o que havia acontecido.
Ela se aproximou dos moradores que cercavam seus pais e perguntou o que estava acontecendo.
Uma senhora explicou que havia uma aranha monstruosa na casa dos idosos. Uns traficantes locais a haviam espantado, disparando tiros.
Ouvindo isso, Adubo perguntou onde era o local, para disfarçar. Após receber a indicação, foi ver o que estava acontecendo.
Quando a mulher entrou na casa, não encontrou nada. Porém, viu um enorme buraco na parede dos fundos. Saiu através dele para tentar encontrar o que quer que fosse que tivesse feito aquilo.
Assim que saiu, viu sinais estranhos no chão e foi seguindo-os.
Os rastros entravam na mata que ficava atrás da casa e continuavam adiante.
No fim dos rastros, adubo encontrou uma enorme aranha de escamas vermelhas tentando subir em uma árvore. Adubo, olhando em volta, gritou para a criatura:
- Você fez mal em fugir pra cá… É meu território.
Adubo respirou fundo e cedeu toda sua energia para o local. Árvores, grama, terra e plantas se expandiram e cresceram. Uma série de cipós envolveu a aranha e começou a apertá-la, porem ela não era esmagada.
No entanto, cada vez mais plantas e mais cipós se juntavam à tentativa de esmagar a criatura. No fim, as forças daquela mata somadas foram tantas que Adubo ouviu algo se partir, uma duas, três, várias vezes.
Assim que as plantas se afastaram, a mulher pôde ver uma aranha completamente destruída e sem vida.
Quando a mulher ia voltando para a rua, viu a casa de seus pais desabando na direção de onde a aranha tinha quebrado a parede.
Ela ficou parada imaginando onde os pais morariam dali em diante.