Ele sabia que ter aquela estrutura de antenas parabólicas lhe serviria de alguma coisa. A TV estava sintonizada em uma emissora do estado de São Paulo, que transmitia o sequestro do shopping ao vivo.
Ele balançava um copo de whisky com gelo enquanto via a polícia tentar negociar com sua aprendiz.
A repórter dizia que a bruxa queria as mulheres mágicas. O âncora perguntava se Raquel havia dito o que iria fazer com elas. A repórter respondia que a polícia ainda não tinha essa informação.
Então o helicóptero da emissora filmou as cinco supermulheres chegando ao shopping.
Ramon ficou tenso, pegou um charuto, acendeu e tragou, bebendo um gole do whisky em seguida.
Depois que as mulheres entraram na construção, não demorou muito para que os policiais se movessem desesperados.
Segundo a repórter, gritos de agonia haviam sido ouvidos no andar do sequestro.
Não demorou nada para que policiais começassem a reportar combate entre as mulheres e a bruxa.
A repórter dizia estar ouvindo os sons, quando uma das mulheres mágicas, que trajava verde, saiu do shopping pela porta da frente, se dirigiu até a avenida que ficava na frente e com gestos de mão fez árvores que estavam plantadas nos canteiros começarem a caminhar, seguindo-a.
O barulho de um trovão foi ouvido, uma, duas vezes. Em seguida duas grandes explosões, enquanto a mulher de verde voltava para dentro do shopping.
Segundo informações que os policiais passavam, o chão do andar do sequestro havia cedido e a bruxa caído.
Os policiais começavam a se mover em direção aos andares inferiores.
Demorou alguns minutos até que os soldados estivessem reposicionados.
Então, um homem de calça jeans e colete vermelho chegou voando e entrou pela frente do shopping.
Algum tempo se passou e Jorge ouviu como se fosse um grito de agonia. Ele sabia que sua aprendiz havia morrido.
Enquanto o homem de jeans e colete saia voando para fora do shopping, Ramon terminava seu charuto e seu whisky.
Quando ele terminou, pensou em se vingar por Raquel. No entanto, sabia que não tinha o que ganhar com isso.
Se as mulheres mágicas continuassem agindo, ele só tinha a ganhar. A responsabilidade dele sobre as drogas que vendia terminava quando seus homens paravam de transportar a mercadoria.
Se a polícia passasse a aprender mais droga, ele teria que vender mais. Fora que ele não poderia usar o poder das frutas para si.
Ele sabia que, naquele momento, Raquel já havia se tornado um demônio no inferno e que não podia fazer mais nada por ela.
Ele havia pedido para Raquel deixar as mulheres mágicas de lado e se juntar a ele, mas ela não quis e agora havia pago por isso.
Ele lamentava, mas não tinha motivos plausíveis para agir. Ele queria alguém para passar a eternidade ao seu lado, mas Raquel se foi. O que ele podia fazer era arranjar outra aprendiz.
Após tomar a decisão de não fazer nada, Jorge foi se consolar, cuidando de seus negócios.