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Mahou Tias 096 - Stefani Mata

24/03/2025
Por Danilo Sanches Ferrari

Naquela quarta, todas as outras Mahou Tias tentaram se concentrar para falar com os espíritos da natureza. Cada uma queria fazer sua tentativa de convencê-los a parar de apoiar Ganu.

Mas todo esse esforço estava sendo em vão. Nenhuma delas conseguia ver os espíritos da natureza.

Nem mesmo Tatiane, que durante o treinamento com o pajé havia conseguido.

Viviane tentou argumentar mais uma vez com os espíritos, dizendo que muitos humanos bons não deviam pagar pelas más atitudes de poucos.

A sereia respondeu que a função dela não é interferir ou julgar os humanos, explicando que Ganu tem as frutas e por isso também tem controle sobre os elementos da natureza.

Viviane, indignada, perguntou:

- — Me parece que vocês entendem meu ponto, mas mesmo assim vão deixar acontecer?

- — Tudo que eu te disse até agora é verdade. Se Ganu executar o plano dele, a quantidade de pessoas que morrerão será menor do que se deixássemos para o futuro. Contudo, não é nosso dever julgar a atitude de Ganu. Se ele estiver errado, ele pagará por isso quando morrer. — Explicou a sereia.

- — Então, só parando Ganu… Vocês não ligam de não poderem fazer nada? Não acham errado ficar de braços cruzados? — Questionou a garota.

- — E vocês também veem pessoas fazendo coisas erradas e deixam para lá, por que não é seu problema… E não venha me dizer que não existem vidas envolvidas, veja o que seus políticos fazem com vocês. Se eu soubesse do que no fim é o melhor, eu poderia sentir algo, mas eu sei que no fim Ganu vai poupar vidas, apesar de tirar muitas agora. Nós não podemos nos opor a quem comeu as frutas, nós as criamos para que os humanos pudessem controlar a natureza e protegê-la. Esse uso que vocês estão dando não passou pela nossa consciência. — Explicou a sereia desaparecendo.

Viviane desistiu. Ela não tinha mais como argumentar. Ela sentia uma ponta de remorso no espirito da água, pois notou uma leve mudança no discurso dela. No entanto, essa mudança não havia servido de nada.

A garota ligou para Tatiane pedindo para que o grupo de caça a Ganu se apressasse, pois conversar com os espíritos não adiantaria nada.

Tatiane sabia que quem delas tinha mais vantagem sobre Ganu era Stefani. Então, foi até a casa da garota buscá-la.

No carro, Stefani questionou o que iriam fazer. Tatiane respondeu:

- — Tô te levando pra matar… Assim não vai dar pra trás na próxima vez que tiver que executar o índio.

- — Você tá maluca! Vai me fazer mata uma pessoa qualquer na rua? – Gritou Stefani.

- — Eu gostaria de ter acesso a um preso pra isso, mas vamos ter que improvisar. — Falou Tatiane de cara fechada.

- Eu não vou mata um inocente, o Ganu é uma coisa. Ele quer matar muita gente. – Argumentou Stefani.

Tatiane ficou calada e seguiu guiando, até que parou o carro em um estacionamento no centro e fez Stefani segui-la pelas ruas.

Tatiane levou Stefani até o banheiro de um pequeno shopping e lá fez ela se transformar, também se transformando.

Stefani, indignada, falou:

- — A gente já podia ter vindo transformada.

- — Esqueci. — Respondeu Tatiane.

As duas voltaram a caminhar pelas ruas do centro, sendo observadas com admiração e medo pelas pessoas no caminho.

Então elas chegaram até o centro de zoonoses da cidade. Na recepção, uma mulher surpresa as atendeu:

- — Vocês são Mahou Tias?

- — Sim… Preciso de sua ajuda. Minha parceira tem uma certa vantagem contra o índio maluco, mas não tá preparada pra matar. Ouvi que foi apreendido um cão que matou uma criança e vai ser sacrificado. – Explicou Bolinha.

A atendente ficou parada sem reação. Instantes depois ela entrou em uma sala que ficava aos fundos. Minutos depois saiu acompanhada de uma outra mulher, mais velha e de cara fechada, que disse:

- — Então vocês querem eletrocutar um animal até a morte. Ele é um ser irracional, sabia.

- — Se ele vai ser sacrificado, porque não deixar que alguém perca seu medo de matar? E ela não precisa eletrocutar, ela até pode aplicar a injeção, eu só quero que ela mate. — Explicou Bolinha.

Faísca não estava nem um pouco confortável com aquilo. Mas ela também sabia que esse cachorro havia sido escolhido a dedo pela companheira, já que o animal havia matado uma criança, o que mexia com ela.

A mulher mais velha perguntou a Faísca:

- — Você não tá pronta pra isso, não é?

Faísca disse que não e a mulher deu de ombros dizendo:

- — Só vou deixar porque esse cachorro não tem recuperação, mas vai dar a injeção.

Faísca e Bolinha entraram em uma sala com uma maca e ficaram esperando.

Então a mulher mais velha, com a ajuda de mais dois homens, vieram puxando três cordas, que arrastavam um cachorro que fazia força na direção contrária e rosnava ameaçadoramente, mesmo com focinheira.

Bolinha ajudou a colocar o animal na maca e a amarrá-lo.

Então a mulher mostrou para Faísca onde a injeção devia ser aplicada, entregando a seringa para a garota.

Faísca colocou a agulha no ponto que lhe aviam mostrado, mas começou a tremer.

O animal, pressentindo o que estava para acontecer, começou a chorar.

A garota posicionou a seringa mais uma vez e começou a chorar.

Ela olhou para Bolinha pedindo ajuda e levou um tapa no rosto. A companheira lhe falou:

- — Esquece o choro, pensa nele degolando a criança.

A garota fechou os olhos imaginando aquele mesmo animal, que chorava pela vida, mordendo a garganta de uma criança, fazendo jorrar sangue para todos os lados.

Ela fez força para ignorar os ganidos e afundou a agulha na veia do animal.

Bolinha fez Faísca olhar para o animal até que ele estivesse morto.

Então, horas depois, ambas em suas formas civis, voltavam para casa no carro.

Stefani tinha uma expressão triste e lágrimas escorriam de seus olhos. Ela olhou para Tatiane, dizendo:

— Isso não foi igual matar barata ou um mosquito. Meu coração dói.

- — Então se acostuma com essa dor que você vai ter que matar uma pessoa. — Falou Tatiane.

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