Depois da batalha no teto do Terra do Nunca, as Mahou Tias não tiveram mais como esconder suas identidades.
A polícia, através de Vitório, cuidou de passar para a imprensa que duas pessoas haviam morrido, uma civil e uma das mulheres mágicas.
As quatro, seus familiares e até Vitório, foram obrigados a explicar tudo e contar toda a verdade ao comando geral da polícia.
Elas repassaram todos os acontecimentos desde o início, omitindo a parte das frutas.
Elas disseram que haviam sido escolhidas pelos espíritos da natureza.
Quando Viviane ficou sabendo do ocorrido, convenceu os espíritos a colocarem na mente de todos os envolvidos que eles haviam dado os poderes.
E, como todos disseram a mesma coisa, Viviane sabia que haviam acreditado nas visões.
Viviane não teve trabalho para convencer os espíritos. Bastou dizer que as pessoas poderiam começar a brigar pelas frutas que eles se mexeram.
No mesmo dia o corpo de Tatiane foi mandado para um laboratório, para que cientistas pegassem o material genético que quisessem para entender os poderes dela.
A família de Tatiane só pôde fazer seu velório na quarta-feira seguinte, dois dias antes do casamento de Pâmela e Augusto.
Graças aos poderes de cura das frutas, os ferimentos das Mahou Tias estavam melhor.
As que estavam pior eram Pâmela e Leidiane.
Pâmela ainda tinha uma lesão no estomago e útero e o braço quebrado, porém ambos os ferimentos estavam em estágio final de cura.
Leidiane ainda tinha fratura nas costelas, mas também estava em vias de se curar totalmente.
Os parentes de Tatiane se perguntavam o que ela fazia no teto do shopping, mas a polícia dizia não ter resposta.
A imprensa divulgava que o corpo de Bolinha havia sido cremado, pois era o que a polícia passava.
Era patético olhar para Vagner debruçado no caixão da esposa. Era como se uma criança chorasse por uma boneca, tamanha a diferença das alturas dos dois.
Stefani estava em um canto fora da sala onde estava o corpo, cabisbaixa. Ela sentia a responsabilidade. Se tivesse matado Ganu no começo, Tatiane ainda estaria viva.
Até mesmo Viviane foi ao velório, sentada em uma cadeira de rodas apenas para evitar problemas.
Vagner estava realmente abalado. Ele chorava copiosamente, sem intervalo, tremendo e desajeitando o corpo da esposa no caixão.
Tiago e Leidiane tiveram muito trabalho para que o homem levantasse de cima do caixão.
Depois travaram outra luta, na tentativa de que ele comesse e bebesse algo.
Eles estavam preocupados com o irmão, que podia ter um troço a qualquer momento.
As pessoas que estavam no velório se impressionavam com o quão abalado Vagner estava. Elas diziam que ele devia amar muito a esposa para estar daquela forma.
No dia seguinte, enquanto o caixão era alçado para dentro do tumulo, Vagner não aguentou e acabou desmaiando.
Foi como se um urso caísse do nada. Foram necessários cinco homens para levantá-lo, colocando-o sentado em outro túmulo, enquanto Jessica tentava acorda-lo.
Vagner foi para a casa de Leidiane. Ela não queria que ele ficasse na própria casa, para não ficar lembrando da esposa o tempo todo.
Deitado no quarto de hóspedes, Vagner agarrou a mão de Leidiane e, chorando, pediu:
- — Mata esse maldito! Não deixa ele continuar!
- Leidiane acenou com a cabeça e o irmão voltou a falar:
- — Eu perdi meu filho pra um bandido e minha mulher pra outro… Que policial de merda eu sou!