No dia seguinte, Stefani perguntou para Leidiane se ela iria para a chácara. Porém, a resposta foi negativa.
Stefani estava com a ideia fixa de treinar o domínio sobre o grande raio. Ela queria suportá-lo mais, conseguir que ele se tornasse um raio contínuo.
São Nunca continuava nublada, o que fez a garota ir para o quintal dos fundos de sua casa e chamar o grande raio.
Ela só conseguia sustentar cada raio por cerca de dois segundos, antes que a visão escurecesse e ela ficasse tonta.
Mas não era só isso. Após chamar o quarto raio, ela estava exausta, com o coração saindo pela boca.
Ela começou a se perguntar se havia como ter mais controle sobre o raio e ficou preocupada com a possibilidade negativa.
Ela pensou em chamar o raio uma quinta vez, ignorando seu estado, mas se preocupou com a possibilidade de alguém notar um raio caindo cinco vezes no mesmo lugar.
Ela ficou sentada aos pés da árvore refletindo, até que sua mãe a chamou dizendo que era Ricardo no telefone.
Stefani pegou o aparelho sem fio da mão da mãe, cumprimentando o namorado. Ricardo respondeu:
— Sei que você não tá no clima, mas vamos almoçar fora?
— Não quero ir no shopping por um tempo… – Reclamou Stefani com voz triste.
— Eu não falei de shopping! Pode ser um restaurante, sei lá. Só quero te distrair. — Falou Ricardo, tropeçando nas palavras.
— Eu não quero me distrair. Tchau. — Desligou Stefani, voltando a se sentar aos pés da árvore.
Estela, que havia ficado observando, se sentou ao lado da filha com alguma dificuldade e falou:
— Eu não queria tá na sua pele… Mas você não pode ficar se culpando pra sempre. Nenhuma de vocês tava realmente preparada pra essa luta de vocês.
— A Tatiane era decidida. Ela tentou me deixar mais forte e foi ela que morreu por causa da minha fraqueza. — Reclamou Stefani.
— Eu acho que essa força que você diz veio do trauma de perder o filho. Isso mudou ela. Do mesmo jeito que a morte dela mudou você… Seu olhar tá diferente desde o velório. — Falou Estela, entre suspiros.
— Eu tô com raiva, de mim e do Ganu. — Falou Stefani, quase rosnando.
Estela suspirou e puxou a filha para o colo, falando:
— Toma cuidado com o que vai fazer com essa raiva… A culpa é de Ganu e não sua. Se tiver que ter raiva, tenha dele. Mas raiva nunca é uma coisa boa.
— O que eu tenho que sentir dele, pena? – Questionou Stefani, incrédula.
— Não sinta nada por ele. Se concentre no seu real objetivo, que acho que seja proteger as pessoas. — Falou Estela, passando a mão no cabelo da filha.
— Então, se eu tiver que mata o Ganu, eu não tenho que faze isso com raiva dele. Mas pra proteger as pessoas? – Questionou Stefani.
— Por mais que eu saiba que o fim do Ganu é a morte dele, você não precisa odiar ele. Eu não quero ver você se tornar um poço de ódio e amargura, você não é isso. – Disse Estela com lágrimas começando a escorrer de seus olhos.
A garota ficou aproveitando o colo da mãe e vários sentimentos foram tomando conta de seu peito, inclusive um que ela não tinha sentido desde o momento da morte da amiga: tristeza.
Quando a tristeza tomou conta de seu coração, ela chorou. Não de raiva, não de vergonha por ter fracassado, mas por ter perdido uma amiga, por saber que o sonhos de Tatiane haviam sido destruídos.
O mal estar foi tão grande que ela se levantou do colo de Estela chamando o grande raio e o disparou de volta para o céu.
Quando ela sentiu que ia apagar, São Nunca, Tatiane, Vagner e as outras mulheres mágicas vieram a sua mente. Ela conseguiu manter o foco e o raio por dez segundos, antes de cair exausta.
Estela agarrou a filha dizendo:
— Seu raio ficou mais brilhante!
— É… Acho que entendi o que eu tenho que fazer pra dominar ele. Obrigada, mamãe… – Disse a garota, caindo no sono.