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Mahou Tias 106 - As Profecias De Pâmela E Augusto Se Cumprem

28/03/2025
Por Danilo Sanches Ferrari

Apesar de a polícia saber a verdade por trás da identidade das Mahou Tias, o IML demorou para liberar o corpo de Augusto.

O corpo chegou no mesmo cemitério em que Tatiane havia sido enterrada às nove da manhã da sexta, dois dias após a morte do homem.

Apesar da capacidade de cura, Pâmela ainda tinha algumas marcas no rosto, da troca de socos com Ganu.

Ela estava à esquerda do caixão, debruçada sobre ele, chorando aos soluços.

À direita do caixão estava Estela, que também estava debruçada sobre ele chorando ao soluços, com o marido lhe passando a mão nas costas.

Stefani, que já havia chorado bastante, estava sentada em um banco na parede da sala do velório, com o rosto entre as mãos, tentando assimilar as duas mulheres que choravam.

Ricardo, Viviane e suas famílias chegaram juntos, indo cumprimentar os familiares de Augusto.

Conforme a notícia de que o corpo havia chegado ao cemitério se espalhava, mais pessoas iam chegando para velar o homem.

Até Osvaldo, o dono da padaria próxima à casa de Stefani, estava lá.

Quando chegou, Vagner se aproximou do caixão, dizendo baixinho para o falecido:

— Pelo menos deu tempo de arrumar as coisas… Vê se cuida da Tatiane por mim…

Por volta do meio dia, Marina, a avó de Stefani, ex-esposa de Augusto, entrou na sala do velório visivelmente alterada. Ela estava com os olhos e o rosto vermelhos, o cabelo desarrumado e as roupas amassadas.

Mas o que realmente chamou a atenção de todos é que a senhora trazia uma garrafa vazia de whisky nas mãos.

Otávio fez menção de ir até a sogra, mas não houve tempo. A mulher se jogou aos pés do caixão, que balançou nos suportes, aos berros:

— Seu imbecil! Como você pôde morrer! Você já não era mais um moleque! E agora, como eu fico?

Levando em consideração o fato de que Augusto havia trocado ela por Pâmela e que isso era de conhecimento comum, os presentes no velório ficaram bastante surpresos. Um burburinho começou a correr o lugar.

Otávio deixou uma incrédula Estela de lado e foi até Marina para contê-la. Ela se jogou aos seus braços, aos prantos.

Até Pâmela parou de chorar com a situação. Ela estava de olhos arregalados, olhando para Marina com uma sensação de culpa no coração.

Estela se recompôs e, junto do marido, tentou tirar Marina do local.

A mulher não queria ir, o que fez Stefani e Ricardo começarem a ajudar, fazendo Marina praticamente sair carregada da sala do velório.

Viviane ouviu a voz de Laura dizendo para ela ir junto. E foi.

Marina estava se debatendo, tentando se livrar das mãos que a seguravam.

Contudo, Marina só foi solta após ser colocada sentada em um túmulo ao lado de onde Augusto seria enterrado.

Estela, com um misto de indignação e preocupação no rosto, falou:

— Mamãe, o papai te trocou, você não tem que chorar por ele!

— Não diz isso, você não sabe de nada! — Exclamou Marina.

De perto, Estela podia sentir o cheiro de álcool vindo da mãe, que não parava de repetir, “você não sabe de nada”.

Estela olhou para o marido e para a filha sem entender nada. E perguntou para a mãe o que ela não sabia.

Ninguém percebeu quando Pâmela se aproximou o suficiente para escutar, mas não para ser vista.

Marina encarou a filha por alguns instantes e falou:

— Seu pai e eu nunca nos separamos…

Estela arregalou os olhos, mas a mãe continuou:

— É melhor eu falar desde o começo… Lembra que teve uma época que seu pai viajou pro Paraguai a pedido da empresa onde ele trabalhava? Ele ficou um ano lá…

— Sim, mas eu era pequena, você até entrou em depressão por causa disso… Mas o que isso tem a ver?

— Nos primeiros dias que seu pai saiu, o Osvaldo da padaria veio fazer uma entrega, se aproveitou de mim e eu fiquei grávida…

Estela e Stefani cobriram o rosto com as mãos enquanto Viviane e Ricardo, que haviam percebido a presença de Pâmela, se colocaram ao lado dela:

— Então foi por isso que você me deixou com uma tia? O Osvaldo te estuprou e você nunca me contou! — Reclamou Estela.

— Eu fugi pra dar a criança embora assim que ela nascesse. Eu não quis abortar.

Lentamente, algumas peças foram se encaixando na cabeça de Stefani, mas ela não falou nada.

Marina colocou a garrafa na boca, mas não havia mais líquido para ela beber. Jogando a garrafa longe, ela continuou:

— Uns meses antes da gente fingir se separar, seu pai foi no médico comigo. Por causa de um exame eu tive que dizer que fiz uma cesárea, mas você nasceu de parto normal.

Alguma coisa na cabeça de Estela sabia onde aquilo ia parar, mas ela ignorou e Marina continuou:

— Eu contei a verdade pro seu pai… Que me falou que o Osvaldo era estéril.

Viviane e Ricardo trocaram rápidos olhares, prevendo qual seria o fim da revelação:

— Seu pai quis correr atrás da criança pra saber se ela tava bem… E depois de um tempo de investigação, ele encontrou a filha se prostituindo.

Pâmela caiu de joelhos no chão, incrédula. Otávio bateu na testa. Estela quase caiu no chão, mas Marina não parou:

— Ele não queria que soubessem o que tinha acontecido comigo e o que eu tinha feito. Então a gente fingiu uma separação pra ele poder se aproximar da filha… O resto vocês já sabem.

Estela olhou para os lados buscando ajuda e viu Pâmela, a irmã, deitada no chão se sentindo a pessoa mais suja do mundo.

Então Stefani se lembrou das profecias que Laura havia feito para Pâmela e Augusto.

“Você tem sorte, Pâmela. Poucas pessoas são tão amadas quanto você. Aproveite esse amor, pois parte dele pode se tornar uma agonia”, havia dito Laura para Pâmela.

“O senhor é forte, está carregando o mundo nas costas. Mas, quando você cair, esse fardo vai causar dor às pessoas a sua volta”, havia dito Laura a Augusto.

E o avô havia dito que sabia do que Laura falava.

Estela se sentou no túmulo ao lado da mãe, tentando assimilar as coisas.

Viviane e Ricardo tentavam levantar Pâmela do chão.

Otávio pensava: “Porra, seu Augusto, o senhor se superou”.

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