Os primeiros cidadãos correram na direção de Adubo, que havia sido baleada, julgando que ela estaria em condições ruins.
A mulher estava viva, mas com a voz fraca, sentindo muitas dores nas costas.
As pessoas conversavam com ela, tentando mantê-la acordada. Ela dizia que sentia as pernas e os braços, além de fortes dores nas costas.
Um outro grupo correu para Wind, que aparentava várias fraturas no rosto e até na cabeça.
As pessoas a acordaram e a ajeitaram melhor no chão para que pudesse descansar.
O terceiro grupo correu até Jat que, por causa dos destroços, havia sofrido vários cortes no corpo.
Uma família se dirigiu até Faísca. Uma mulher começou a lhe dar tapinhas no rosto para acordá-la.
A garota abriu os olhos, tonta, perguntando o que estava havendo.
O homem, marido da mulher que acordara a garota, explicou que Ganu havia derrubado o helicóptero mas tinha fugido, muito ferido.
Faísca, que sangrava pelo nariz e pela gengiva, tentou se levantar, mas a tontura a fez cair sentada.
A filha do casal, que aparentava uns nove anos, tirou um lenço cor de rosa da bolsa e deu para Faísca limpar o sangue do rosto.
Mais helicópteros da polícia começaram a se aproximar e pausar na pista vazia da Avenida Do Destino. Eram mais três aeronaves.
Médicos começaram a sair dos helicópteros, indo até as Mahou Tias.
Enquanto as quatro eram atendidas, duas viaturas dos bombeiros chegaram, esticando suas mangueiras para dar fim às persistentes chamas que consumiam o helicóptero caído.
Umas vinte viaturas da polícia também chegaram à Avenida Do Destino.
Vitório correu, passando pelas quatro mulheres mágicas, conversando com os médicos para saber sobre as condições de cada uma.
Nenhum hospital queria receber as Mahou Tias. Todos temiam represálias de Ganu.
Vitório negociou com Mário se a casa dele teria condições de receber as quatro.
Mário demonstrou preocupação com a situação de Adubo, que das quatro era a que estava pior.
Um médico que estava junto disse que a bala não havia penetrado tão fundo. Se a casa fosse limpa, considerando a resistência superior da mulher, poderiam removê-la lá.
Mário conversou com todos que estavam em sua casa, que não titubearam e começaram a fazer os preparativos para receber as mulheres.
Ricardo e o pai começaram a encher dois colchões de ar que Mario e Leidiane tinham.
Débora, a mãe de Ricardo e Estela começaram a limpar o quarto do casal, para que Adubo fosse operada ali.
Otávio, o pai de Viviane, Mário, Vagner e Tiago começaram a tirar móveis do caminho para facilitar a passagem das macas.
Astolfo e Cleide ficaram rezando sem saber exatamente pelo que.
Viviane estava parada na calçada, olhando para o céu. Desde a fuga de Ganu ela havia começado a sentir um arrepio correndo o corpo.
Além do que, ela tinha certeza de que o céu estava escurecendo lentamente.
Quatro viaturas da SAMU saíram da Avenida Do Destino com as Mahou Tias.
Os helicópteros das emissoras de TV foram obrigados a ficar onde estavam.
A polícia divulgou para a imprensa que estava levando as quatro para um lugar escondido.
Nenhum dos carros de resgate estava com as sirenes ligadas, para que passassem o mais desapercebido possível pela cidade.
Ao chegarem à casa de Leid, Adubo foi a primeira a ser retirada da viatura.
E seguida saíram Jat e Wind, com Faísca por último.
Adubo foi levada para o quarto do casal. Jat para o quarto de hóspedes. Wind e Faísca foram colocadas nos colchões de ar na sala.
Estela e Otávio se sentaram ao lado de Faísca. Eles não paravam de perguntar se a filha estava bem.
A garota estava bem melhor. A tontura havia passado e a cabeça doía menos.
Ela até ficou de pé sem problemas, mas seus pais a fizeram deitar novamente.
O céu não parava de escurecer. Viviane o observava, com o coração apertado.
Depois de alguns minutos, o céu parecia pintado de preto. O dia havia virado noite, só que sem as estrelas.
Mais alguns minutos se passaram e gotas fortes começaram a cair do céu, até que se transformaram em uma grande chuva.