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Mahou Tias 113 - O Dilúvio De São Nunca

29/03/2025
Por Danilo Sanches Ferrari

Já passavam das 13 horas quando a chuva começou a cair. Viviane continuava do lado de fora da casa de Leidi, sendo banhada pela água.

No entanto, a garota foi percebendo que a chuva realmente não era comum, pois estava extremamente forte.

A impressão que ela tinha não era de que as gotas caíam, mas sim de que as gotas estavam sendo atiradas. Ela se sentia agredida pela água.

Além dessa agressão, ela sentia um calor dentro de si que não sabia explicar.

A chuva não parava de ganhar força. Viviane ficou ao relento por 15 minutos. Após isso não aguentou mais. Ela estava dolorida pelo impacto da água, se vendo obrigada a entrar.

Ela entrou na sala, espalhando água pelo chão. Débora, que estava em um canto na sala, se assustou ao ver a filha:

— Filha, você tá toda vermelha! O que aconteceu?!

— É a chuva. Ganu realmente tá fazendo ela, a água tá caindo com muita força. Eu senti como se a chuva tivesse me batendo.

O pai da garota saiu da casa, mas voltou instantes depois, todo molhado, dizendo:

— Como você aguentou ficar tanto tempo na chuva? Ela tá machucando!

— Ela fica mais forte com o passar do tempo. No começo, ela não tava assim. — Explicou Viviane.

Faísca se levantou, mas foi segurada pela mãe, que falou:

— Você não vai sair! Você nem sabe onde o Ganu tá!

Faísca abaixou a cabeça, mas voltou a deitar.

Viviane explicou que estava sentindo uma espécie de calor dentro de si, pedindo para que a deixassem em paz, para descobrir o que era aquilo.

A garota procurou um local tranquilo na casa, encontrando-o na lavanderia. Lá, se sentou no chão e começou a meditar, se concentrando nessa sensação quente.

Enquanto isso, na sala, Astolfo pediu licença a Mário para ligar o aparelho de som, sintonizando na rádio de notícias da TV Rodovia.

Os locutores já narravam relatos de ouvintes que davam conta de árvores que caíam, fios elétricos que se soltavam dos postes, transformadores que estouravam, casas e pessoas que eram levadas pela correnteza das águas.

Após cinco minutos ouvindo o rádio, todos os que estavam na sala, mesmo sem poderes, tinham certeza que era obra de Ganu.

Raios começaram a cair. Uma forte ventania começou a soprar junto da chuva, o que só aumentou a força da água e passou a mudar a direção da queda das gotas.

Então, ouviu-se barulho de vidro quebrando e Jat gritando.

Mário subiu até o quarto de hóspedes para encontrar o vidro da janela estilhaçado.

O pai de Ricardo e Vagner ajudaram a carregar o colchão onde Jat estava deitada para a sala.

A Rádio Rodovia Notícias relatava que, por causa da chuva, seu helicóptero estava voltando para a base.

As zonas carentes de São Nunca eram as mais afetadas segundo os próprios moradores da cidade. Favelas inteiras estavam sendo destruídas pela intensidade das águas.

Casas de alvenaria ainda suportavam, mas barracos de madeira eram destruídos por todos os lugares.

Onde havia barrancos, mesmo as casas de alvenaria estavam sucumbindo.

Um raio caiu e a energia da casa de Mario desapareceu.

Astolfo foi até uma bolsa que havia trazido, pegou e ligou seu rádio a bateria.

Agora o locutor da Rádio Rodovia lamentava a queda do helicóptero da emissora.

Não demorou muito para que os celulares de todas as operadoras ficassem sem serviço.

A Rádio informava que não sofria com falta de energia, internet e telefonia pois sua sede não ficava em São Nunca.

No entanto, a emissora não estava mais recebendo relatos de moradores da cidade, apenas de moradores de cidades vizinhas, que ainda não tinham sido atingidas pelo diluvio.

Todos os que estavam na casa de Mário e Leidi estavam extremamente assustados.

Um dos médicos que estava operando Adubo saiu do quarto e pediu uma lanterna, pois já estavam acabando.

Ele informou que os órgãos internos dela haviam sofrido poucos danos.

Mário subiu até o quarto da operação, levando uma lanterna.

O tempo foi passando e os locutores e locutoras da rádio já não conseguiam mais esconder a tensão por falta de notícias vindas de São Nunca.

Eles informavam que carros saíam da cidade em quantidade bem baixa. Mas que eles saíam com a lataria toda amassada e os vidros quebrados. Seus ocupantes tinham ferimentos causados pelos estilhaços de vidro e pelo impacto da água.

Faísca se levantou e começou a procurar Viviane pela casa.

Estela e Otávio não se opuseram ao ímpeto da filha e foram ajudá-la.

Quando encontraram Viviane na lavanderia, ela estava suando, abraçada aos joelhos.

Ela percebeu a chegada de Faísca e seus pais, falando baixinho:

— Não me atrapalhem, to pra achar o Ganu.

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